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Bill Gates vai direto ao ponto em novo livro sobre crise do clima

18/05/2021

É difícil evitar o ceticismo quando alguém como o bilionário americano Bill Gates, 65, resolve escrever um livro com sua receita para salvar o mundo.
“Não posso negar que sou mais um ricaço cheio de opiniões”, brinca ele na introdução de sua obra mais recente, intitulada “Como Evitar Um Desastre Climático”. “Mas acredito que minhas opiniões são bem embasadas e sempre tento aprender mais.” Não se trata de propaganda enganosa, ao menos na maior parte do tempo.
De fato, o livro do cofundador da empresa de tecnologia Microsoft é um retrato surpreendentemente detalhado e claro do tamanho do desafio que a humanidade enfrenta hoje por ter alterado o clima da Terra.
Apesar da brevidade do volume, Gates consegue abordar com precisão a raiz do problema (a brutal dependência de combustíveis fósseis da qual sofre a civilização do século 21) e as possíveis soluções, em especial as de cunho tecnológico, mas não apenas elas.
Considerando a quantidade de absurdos que grandes empresários são capazes de proferir sobre temas ambientais, não deixa de ser reconfortante que o terceiro sujeito mais rico do mundo seja capaz de ir direto ao ponto.
Meias medidas não vão tirar a corda da crise climática do nosso pescoço, martela Gates. É preciso zerar as emissões líquidas de gases derivados da queima de combustíveis fósseis, como o CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico). E relativamente rápido, numa escala de poucas décadas. "Não existe um cenário hipotético em que continuamos lançando carbono na atmosfera e o mundo para de se aquecer”, escreve ele.
O grande problema é que praticamente todos os aspectos da vida moderna estão marcados pelo nosso vício em combustíveis fósseis. Conforme elenca o livro, ligar as coisas na tomada, fabricar objetos, produzir alimentos, transportar bens e pessoas, esfriar e aquecer as coisas —ou seja, quase tudo o que fazemos— são atividades que hoje dependem da combustão de carvão, gasolina ou gás natural.
Para piorar, as tendências históricas não estão atuando em nosso favor. Cada vez mais pessoas mundo afora estão alcançando estilos de vida relativamente prósperos (o que normalmente significa emitir mais gases-estufa), e a transição para novos sistemas de consumo de energia normalmente são lerdas —lerdas demais para impedir mudanças climáticas perigosas.
A única abordagem lógica é ser o mais pluralista possível, defende Gates. É preciso atacar tanto os vilões de sempre (carros de passeio movidos a gasolina e usinas termelétricas a carvão, digamos) quanto áreas nas quais pouca gente pensa como fonte importante de gases-estufa. Só a produção de aço e cimento, por exemplo, corresponde a 10% das emissões globais.
A receita do bilionário envolve, é claro, o uso agressivo de tecnologias limpas já disponíveis, como as energias eólica e solar e os biocombustíveis, mas ele defende que apenas multiplicar seu uso não será suficiente para alcançar a meta de zerar as emissões líquidas globais. Para isso, argumenta, precisaremos de investimento pesado em inovação.
Será preciso achar caminhos para armazenar e transmitir com muito mais eficiência a energia gerada pelas fontes renováveis, que tende a ser muito variável no tempo e no espaço —os ventos mudam ao longo do ano, o Sol brilha muito no verão e pouco no inverno em diferentes lugares da Terra etc.
Também será indispensável transformar radicalmente as frotas de veículos, com predomínio dos carros elétricos e/ou movidos a biocombustíveis de segunda geração (feitos a partir de resíduos vegetais, como o bagaço da cana).
Processos industriais que hoje não dispensam formas de queima, caso da produção de cimento e aço, precisarão ser “eletrificados” ou passarão a ser feitos por métodos radicalmente diferentes dos atuais.
A produção de carne em laboratório terá de ganhar escala cada vez maior, já que a pecuária, por meio dos arrotos e da flatulência de bois e outros ruminantes, corresponde a 4% das emissões globais de gases-estufa.

Para ler a matéria completa, acesse a Folha de S. Paulo

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