
13/05/2021
Assim como as tartarugas marinhas, os tubarões também dependem do campo magnético da Terra para se guiarem no mar em viagens de longa distância. É o que aponta pesquisa publicada nesta quinta-feira na revista científica Current Biology. O estudo foi desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos, com o incentivo da Fundação Save Our Seas, de proteção de tubarões e raias, e do Laboratório Marinho da Florida State University Coastal, com a análise do comportamento de 20 tubarões-martelo jovens.
A influência do campo eletromagnético no comportamento dos tubarões já foi reconhecida em diversas pesquisas realizadas nos últimos 50 anos. Entretanto, até o momento, ainda não tinha sido possível comprovar que a espécie utiliza esses campos para navegar pelos mares.
Para a realização dos últimos estudos, os pesquisadores identificaram que seria mais fácil fazer os testes em tubarões-de-pala, uma espécie de tubarão-martelo que chega até 1,5 m de comprimento. A escolha se deu após interpretação de que a pesquisa seria realizada de forma mais fácil se acompanhassem animais menores e que retornassem anualmente para o mesmo local.
— O tubarão-de-pala retorna para a mesma localidade todos os anos. Isso demonstra que os tubarões sabem onde fica a sua “casa” e conseguem nadar de volta, mesmo de longas distâncias — afirma o líder de projetos da Fundação Save Our Seas, Bryan Keller.
Os pesquisadores submeteram os 20 tubarões-de-pala selvagens a testes a uma taxa de variação do fluxo de deslocamento da energia magnética, ou seja, criaram um ambiente que representasse a mesma carga de magnetismo encontrada a centenas de quilômetros de distância de onde foram pegos. No experimento, entretanto, eles agiram de acordo com o que a equipe previu, e seguiram o campo magnético de forma natural, em direção à “casa”.
— É muito legal ver que um tubarão pode nadar 20 mil quilômetros em um oceano tridimensional e voltar para o mesmo local de onde veio. Realmente é revolucionário, principalmente em um mundo em que o GPS para a navegação está em quase todos os lugares — exclama Keller.
Segundo resultados dos estudos, essa habilidade dos tubarões contribui para a estrutura populacional da espécie, e acreditam que pode existir também em outros tipos de tubarões, além do examinado.
Fonte: O Globo
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