
13/05/2021
O presidente dos EUA, Joe Biden, tem buscado convencer outros países a fazerem mais esforços para combater as mudanças climáticas, mas os governantes só irão atendê-lo se virem que há vantagens para seus próprios países, diz a jornalista americana Elizabeth Kolbert.
Para ela, os países em desenvolvimento estão certos ao serem céticos em relação a promessas de auxílio internacional e a perspectivas de avanços mais amplos. A jornalista, vencedora do Pulitzer em 2015, considera o Brasil um país-chave para definir como o mundo será nas próximas décadas e afirma que imagens de satélite poderão provar se Bolsonaro está comprometido com a preservação da Amazônia.
Kolbert, 59, pesquisa como as ações da humanidade afetam a natureza. Em seu livro mais recente, "Sob um Céu Branco - A Natureza no Futuro" (ed. Intrínseca), ela detalha como diversos esforços para tentar conservar a natureza acabaram gerando novos problemas. Um exemplo: estuda-se jogar uma substância branca no céu para refletir a luz solar de volta ao espaço e, assim, tentar esfriar o planeta. O efeito colateral é que o céu deixaria de ser azul. Ela conversou com a Folha por videochamada.
Em seu livro, a senhora relata vários problemas que surgiram quando o homem tentou consertar estragos que fez na natureza. O presidente Joe Biden agora propõe novas ações nesse sentido. Isso pode gerar mais problemas? Basicamente, o que Biden está tentando fazer é trocar nossos sistemas de energia que dependem de combustíveis fósseis por outros de energia limpa. Mas vamos ver se, nesse processo, serão criados novos problemas, e poderemos decidir se valerá a pena. Provavelmente sim, dados os danos gerados pelas mudanças climáticas. Por exemplo: será necessário uma grande quantidade de metais de terras raras para as novas tecnologias energéticas, e eles são muito difíceis de obter, em um processo que gera poluentes. Esse tipo de busca constante por equilíbrio é o nosso futuro. Não há solução simples para resolver esses problemas sem criarmos outros. Temos que ser honestos sobre isso.
Biden será capaz de convencer outros governos a fazer mais pelo ambiente? Não acho que algum país fará algo contra seus interesses nacionais. Então, um dos principais pontos para conter emissões de forma robusta será mostrar que há como fazer isso de modo a trazer benefícios, de modo a tornar as coisas mais baratas e mais eficientes. Os EUA e a China estão em melhores posições para liderar esse caminho. Se isso vai dar certo, não sei. Estamos indo na direção errada desde a Rio-1992. Todos têm conhecimento de que a mudança climática é um problema a ser prevenido, que ela é perigosa. Isso faz 30 anos, e o que aconteceu? Não foi um bom histórico.
Como países ricos podem ajudar os países em desenvolvimento nesse caminho? A saída é dar mais dinheiro, como sugere o Brasil? Há vários caminhos criados dentro da estrutura da ONU. Acordos como os de Kyoto [1997] e de Paris [2015] trouxeram a ideia de que os países desenvolvidos iriam supostamente ajudar os menos desenvolvidos, com transferências de tecnologia e envios de dinheiro. Países menos desenvolvidos estão certos de apontar que essas promessas nunca foram mantidas. Não foi um histórico feliz ou expressivo. Mas deveria haver um fundo verde do clima e transferências de tecnologia.
Para terminar de ler esta entrevista, acesse a Folha de S. Paulo
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