
04/05/2021
Você não precisa ir muito longe dos hotéis da ilha paradisíaca de Langkawi, na Malásia, para se deparar com as casas coloridas de telhado baixo do seu interior verdejante.
Esta é a área rural de Langkawi em sua forma mais bucólica; onde búfalos-do-pântano pastam tranquilamente na companhia de suas fiéis companheiras, as garças-vaqueiras.
Seguindo para noroeste, as planícies dão lugar aos cumes irregulares do Machinchang Cambrian Geoforest Park, resultado da atividade geológica de 500 milhões de anos, agora coberto por uma exuberante floresta tropical.
Alguns dos resorts de luxo da ilha estão localizados entre esta floresta tropical e a costa norte. Embora sejam normalmente abertos apenas para hóspedes, minha guia, a primatologista e conservacionista francesa Priscillia Miard, tem uma boa relação com moradores naturalistas e conseguimos acesso para passear pelos jardins do Andaman Resort sem supervisão.
"Eles construíram trilhas pela floresta tropical, que é o local perfeito para avistar mamíferos noturnos", explicou Miard, mal conseguindo conter a emoção, no estilo do célebre naturalista e apresentador britânico David Attenborough.
As cigarras nos deram as boas-vindas à floresta tropical com um coro estridente. Algo saltou acima das nossas cabeças, um esquilo-voador talvez, seguido de perto por um par de morcegos frugívoros que zumbiam entre as palmeiras como dois amantes dançando.
Quando caiu a noite na ilha, ficou evidente que outro mundo havia despertado.
Logo nos encontramos com dois dos assistentes de pesquisa de Miard — Fizri Zubir, aluno de mestrado na Universidade Sains Malaysia, que estuda o comportamento dos colugos, segurando uma câmera; e Nur Liyana Binti Khalid, que estuda ciências florestais na Universidade de Malaysia Sabah, ostentando uma lanterna na cabeça como se estivesse se preparando para descer uma caverna.
Mas a atenção deles estava voltada para o alto: a luz vermelha vasculhava as árvores como uma patrulha noturna à procura de combatentes em uma guerra na selva. Miard usava uma câmera de imagem térmica para rastrear as sombras. Não demorou muito para encontrarmos o que estávamos procurando.
"Tem um ali", disse Zubir, apontando para o tronco de uma árvore enorme.
Através da fraca iluminação, avistamos um objeto redondo suspenso sob um dos galhos, que mal era possível distinguir e poderia facilmente ter passado por uma jaca — se não começasse a se desdobrar.
"Está prestes a começar seu ritual matinal!", afirmou Miard, da mesma maneira como uma mãe orgulhosa poderia falar de seu filho.
A criatura se espreguiçou e, em seguida, se agarrou ereta com suas garras afiadas na árvore e começou a se preparar. Sua pele chamava atenção porque, francamente, havia muita.
Uma membrana que se estende do seu pescoço passando por suas mãos e pés até a cauda, com um formato semelhante a uma pipa, diferencia o colugo, antes conhecido como lêmure-voador, de outros planadores noturnos como o esquilo-voador, que tem uma cauda longa que usa para guiar seu voo.
Como não voam, tampouco usam a cauda como leme, os colugos, com a lógica de uma asa-delta que salta de uma encosta, normalmente sobem em uma árvore antes de tentar planar. Ainda assim, seu alcance é impressionante.
Leia a matéria na íntegra no G1
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