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Redonda, a ilha caribenha povoada por ratos e cabras que se transformou em paraíso ecológico

04/05/2021

Não há resorts, praias, tampouco serviços — e sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) é praticamente nula. No entanto, Redonda, uma ilha rochosa de apenas 1,6 km de comprimento no Caribe, é considerada um dos locais mais valiosos da região.
Praticamente intocada pelo homem por séculos, a terceira ilha menos conhecida de Antígua e Barbuda é há muito tempo um local estratégico para a nidificação de pássaros migratórios de todo o mundo e lar de animais selvagens que não são encontrados em nenhum outro lugar do planeta.
Quando ambientalistas cogitaram pela primeira vez a ideia de remover milhares de ratos-pretos invasores e um rebanho de cabras que estavam ameaçando a vida selvagem da ilha, parecia, na melhor das hipóteses, um plano ambicioso.
Cinco anos depois, o que antes era um terreno árido é hoje um paraíso ecológico fértil, com vegetação nova em abundância e populações endêmicas de pássaros e lagartos em ascensão.
O esforço começou em 2016, mas o verdadeiro sucesso do projeto só foi revelado recentemente, quando conservacionistas fizeram sua primeira viagem de volta à ilha em 18 meses para conferir.
Shanna Challenger, da organização Environmental Awareness Group (EAG), que assumiu o trabalho em parceria com o governo e agências internacionais, diz que foi um "momento de emoção".
"Foi um contraste forte em relação à primeira vez que vi Redonda em 2016, quando ela estava literalmente desmoronando no mar", relembra.
"À medida que o helicóptero se aproximava, pude ver todos esses pequenos círculos verdes e percebi que eram árvores e arbustos novos. Não só a vegetação se recuperou, como também está prosperando."
Antes de serem realocadas, as cabras de chifres longos introduzidas pelos primeiros colonizadores há 300 anos tinham comido progressivamente todas as plantas de Redonda ao ponto de estarem morrendo de fome.
Os roedores, que chegaram no século 19 com uma comunidade exploradora de guano, caçavam répteis e se alimentavam de ovos de aves raras.
A remoção de ambas as espécies foi um desafio.
As cabras, que não estavam acostumadas com o contato humano, foram colocadas em um curral e levadas de helicóptero ao continente para serem criadas por fazendeiros interessados em seus genes resistentes à seca.
A erradicação dos ratos envolveu a tarefa meticulosa de colocar iscas em recantos e fendas por toda a paisagem, aromatizadas com tudo, desde creme de amendoim a chocolate "para garantir que pegássemos os mais exigentes", explica Challenger.
A isca foi misturada com um pesticida irresistível para ratos, mas intragável para pássaros e répteis.
A Fauna & Flora International (FFI), que também estava envolvida no projeto, erradicou com sucesso mamíferos não-nativos de cerca de 25 ilhas desde 1995, mas a implacável topografia vulcânica de Redonda apresentava obstáculos específicos.
A erosão severa causada pelo desmatamento deixou a ilha perigosamente instável, com precipícios em ruínas e desmoronamentos de pedra frequentes.
"Também lançamos iscas de helicóptero e alpinistas fizeram rapel nos penhascos para garantir que nenhuma parte da ilha ficasse de fora", conta Challenger.
Redonda foi oficialmente declarada livre de ratos e cabras em julho de 2018. A equipe fez viagens regulares de volta à ilha para monitorar o progresso do projeto até a pandemia de covid-19 afetar o transporte até lá.
Atobás-pardos com filhotes, rabos-de-palha-de-bico-vermelho, fragatas e falcões-peregrinos estavam entre as aves que os saudaram em seu retorno.

Para saber mais acesse o G1

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