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Em reunião com Salles e França, enviado de Biden trata de novos objetivos ambientais

04/05/2021

Uma semana após o encerramento da Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada por Joe Biden, o enviado especial para o clima do governo americano, John Kerry, conversou na sexta-feira (30) com os ministros brasileiros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Carlos França (Relações Exteriores).
O auxiliar de Biden anunciou a reunião em suas redes sociais e disse que ela serviu para tratar sobre “os importantes novos objetivos” do Brasil na área climática. “Estamos ansiosos para continuar a trabalhar juntos para colocar nosso mundo em um caminho para um futuro mais seguro, próspero e sustentável.”
Durante a cúpula, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu uma fala que causou, no mínimo, estranhamento a quem observa a política ambiental considerada negligente de seu governo.
O presidente brasileiro afirmou ter determinado a duplicação dos recursos destinados às ações de fiscalização ambiental no Brasil, comprometeu-se a alcançar a neutralidade climática até 2050 —dez anos antes da meta estabelecida anteriormente— e repetiu a promessa de acabar com o desmatamento ilegal até 2030. Mas no dia seguinte cortou verba do Meio Ambiente ao sancionar o Orçamento de 2021.
Antes de saberem do corte e horas após a fala de Bolsonaro na cúpula, os americanos avaliaram o tom do líder brasileiro como "positivo" e "construtivo", suficiente para seguir as conversas com o governo brasileiro, mas auxiliares de Biden dizem que a credibilidade de Bolsonaro se apoiará em "planos sólidos".
O próprio Kerry havia se manifestado especificamente sobre o discurso de Bolsonaro na semana passada, dizendo que o brasileiro o havia surpreendido, mas questionou se ele iria cumprir o que prometeu.
“Alguns dos comentários que Bolsonaro fez hoje me surpreenderam. Isso é muito bom, isso funciona se você fizer essas coisas. A pergunta é: eles farão essas coisas? E como seguirão, aplicarão, fiscalizarão tudo isso?”, disse Kerry em entrevista coletiva na Casa Branca.
Por outro lado, os americanos celebram o que consideram uma moderação retórica do brasileiro. Ainda segundo um porta-voz do Departamento de Estado, alcançar a neutralidade de carbono até 2050, dez anos antes do compromisso anterior e sem pré-condições, é significativo, assim como o compromisso de dobrar os fundos disponíveis para fiscalização.
A visão otimista é vantajosa para Biden, que tenta se consolidar como líder na reconfiguração da geopolítica mundial, ditada pelo clima, em que o Brasil é um personagem-chave.
Conseguir um comprometimento de Bolsonaro era considerado pela Casa Branca uma vitória, apesar de os americanos esperarem um cronograma mais detalhado sobre como o país vai atingir suas metas, o que não apareceu no discurso elaborado no Planalto.
Salles chegou a pedir US$ 1 bilhão para se comprometer com a redução de até 40% do desmate da Amazônia no próximo ano, mas os americanos dizem que só liberam dinheiro perante resultados.

Fonte: Folha de S. Paulo

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