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Biólogos fazem registro inédito de cachorro-vinagre no DF

27/04/2021

Uma família da cachorros-vinagre foi vista pela primeira vez, no Distrito Federal, desde 1984. Imagens de pelo menos três animais – duas fêmeas e um macho – foram registradas por biólogos do grupo "Brasília é o Bicho" no dia 28 de março passado.
Para fazer o "flagrante", eles instalaram armadilhas fotográficas em vários pontos da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central, a cerca de 45 quilômetros do centro da capital federal. Os biólogos Fábio Hudson e Marina Motta vibraram quando viram as fotos dos cachorros no equipamento.
O animal é parecido com um urso pequeno e é parente do lobo-guará, do cachorro do mato e também da raposa do campo. A espécie , ameaçada de extinção, está entre os canídeos mais raros do Brasil. O cachorro-vinagre é também o menor canídeo selvagem do mundo.
O biólogo Wesley Batista da Silva conta que foram quatro anos instalando a câmera, no mesmo local, até registrar os cachorros. Eles são considerados animais diurnos, mas também têm hábitos noturnos e costumam andar em grupos.
O equipamento tem memória para oito mil fotos e pode ficar na região de um a três meses capturando imagens.
"É um ponto certeiro que os bichos estão sempre passando. Tem também onça preta, lobo guará e várias espécies importantes para a conservação não só das espécies, mas do ambiente local também", diz Wesley.
Tanto que já foram registradas várias outras espécies no local, como o tamanduá, a irara, que é parente da lontra, o jaguarundi, a onça parda e até onça preta.
Estudos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ( ICMBio) indicam que em um prazo de 30 anos, o cachorro vinagre pode desaparecer. "Em um século, a probabilidade do cachorro vinagre não existir é de 100%", diz o ICMBio.
"Aqui a gente tem a presença de várias espécies de mamíferos ameaçados de extinção como o lobo guará, a anta, a onça pintada, a onça parda, o tamanduá bandeira. O vinagre é mais um dessa lista", conta a bióloga Marina Motta.
Os fatores que mais preocupam são a alta mortalidade observada em decorrência de doenças, principalmente a sarna, além do abate por cães domésticos. Outro problema, segundo os biólogos, são as áreas preservadas cada vez menores, com a expansão das cidades e da agricultura.
"Isso vai diminuindo a sua capacidade de dispersão, de encontrar recursos necessários para a sua sobrevivência. A outra é a caça predatória. Infelizmente a gente tem aqui na região alguns casos de caça", diz Marina.
O coordenador da APA do Planalto Central do ICMBio, Maurício Laxe, afirma que o registro da família de cachorro-vinagre é um marco histórico.
"Essa espécie não era registrada na região há quase 50 anos e o ICMBio irá intensificar tanto o monitoramento quanto a fiscalização naquela área para, em parceria com diversos grupos de pesquisadores, intensificar o levantamento científico dessa espécie e das demais do Cerrado", diz.

Assista aos vídeos no G1

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