
22/04/2021
Em meio a um cenário de crescente competitividade entre os EUA e a China, o dirigente chinês, Xi Jinping, aceitou o convite do americano Joe Biden e confirmou presença na Cúpula do Clima, marcando a primeira reunião entre os dois líderes desde que o democrata assumiu a Casa Branca.
Biden convidou 40 das principais lideranças mundiais para participar do encontro virtual de dois dias que começa nesta quinta-feira (22). Xi dará sua contribuição ao evento por meio de um vídeo e fará um "discurso importante", segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores chinês.
China e EUA lideram a lista dos principais emissores de gases causadores do efeito estufa, de modo que um entendimento entre os dois países é crucial para o sucesso dos esforços internacionais para a redução de emissões de carbono.
A participação do chinês, no entanto, ainda era incerta devido a uma persistente série de conflitos de interesses com os americanos. Washington tem feito, por exemplo, duras críticas à política de Pequim em relação aos direitos humanos, às liberdades individuais e à influência econômica sobre outras nações.
No mês passado, diplomatas americanos e chineses se encontraram no Alasca para debater itens da disputa geopolítica central do século 21. Foram as primeiras conversas entre membros do alto escalão de cada governo, mas o encontro não rendeu avanços. De um lado, os americanos acusaram a China de ameaçar a estabilidade global; do outro, os chineses disseram que os EUA precisam abandonar a "mentalidade de Guerra Fria" e parar de interferir em problemas internos de outros países.
A expectativa é a de que, durante a Cúpula do Clima, esses interesses divergentes possam ser colocados, tanto quanto possível, à parte, em nome de um objetivo comum de combate às mudanças climáticas.
Na semana passada, ambos os países deram sinais de disposição para o diálogo, ao menos nesse aspecto. Após visita do enviado americano para o clima, John Kerry, a Xangai, onde ele se reuniu com Xie Zhenhua, seu homólogo chinês, as duas nações se comprometeram a "cooperar bilateralmente e com outros países para enfrentar a crise do clima".
Antes, no entanto, a China fez cobranças públicas aos EUA, enquanto Xi ampliava cooperações com a Europa por meio de reuniões com Emmanuel Macron, da França, e Angela Merkel, da Alemanha.
Na ocasião, Lijian Zhao, porta-voz da diplomacia chinesa, disse que o retorno dos EUA ao Acordo de Paris — uma promessa cumprida da campanha de Biden — não era "uma volta gloriosa", mas o retorno de um "mau aluno às aulas depois de ter sido reprovado em um curso".
Em editorial, o jornal Global Times, ligado ao Partido Comunista Chinês, disse ainda que "os Estados Unidos não têm autoridade moral ou poder real para dar ordens à China em questões ambientais".
A saída do Acordo de Paris foi uma decisão do ex-presidente Donald Trump, para quem a redução das emissões prejudicaria a economia americana. Os EUA voltaram ao pacto em janeiro deste ano, no primeiro dia do governo de Biden, que colocou o combate às mudanças climáticas como uma de suas prioridades.
Saiba mais na Folha de S. Paulo
Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo
16/07/2026
Horta hidropônica vira aula de química a céu aberto
16/07/2026
Antes de extração, projeto de petróleo na costa amazônica gera expansão de invasões
16/07/2026
Fundo de Catástrofes amplia apoio às vítimas das chuvas
16/07/2026
Energia solar protege água em canais da Califórnia
16/07/2026
Salton, o maior lago da Califórnia, está encolhendo
16/07/2026
