
20/04/2021
O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou na última quinta-feira (15) que o governo trabalha para derrubar “pouco a pouco” os índices de desmatamento ilegal na Amazônia até zerar a prática no ano de 2030.
Mourão, que preside Conselho Nacional da Amazônia Legal, comentou em entrevistas críticas à meta de combate ao desmatamento na Amazônia publicada pelo governo no Diário Oficial da União (DOU) de quarta-feira (14).
O Plano Amazônia 2021/2022 indicou uma meta oficial. A meta, contudo, é menor do que a quantidade de desmatamento registrada no governo Bolsonaro.
O texto prevê reduzir o desmatamento, até o fim de 2022, aos níveis do que foi registrado, na média, entre 2016 e 2020.
Entretanto, na prática, segundo a rede Observatório do Clima (OC), o objetivo do governo não é reduzir, mas deixar a Amazônia ao final de 2022 com uma devastação "apenas" 16% maior do que a registrada no período anterior ao governo Bolsonaro.
“Crítica faz parte", disse Mourão nesta quinta. "Nós temos que ir por etapas. Não adianta eu chegar e dizer: ´ah, po, ano que vem vou derrubar 5 mil, 6 mil´. Então, eu vou derrubando pouco a pouco (o desmatamento) até chegar a 2030 com isso zerado. Se conseguir antes, ótimo”, completou o vice.
Apesar de pela primeira vez apresentar um número oficial que limite o desmatamento na Amazônia até o final do governo Bolsonaro - 8.700 km² de desmatamento -, o documento apresentado na quarta não explica quais medidas serão adotada e não apresenta nenhuma previsão orçamentária para a ação.
O plano de redução do desmatamento publicado pelo governo foi criticado por entidades ambientalistas.
“Quando Bolsonaro assumiu, o desmatamento era de 7.500 km2. Ele o elevou em 48%, para 11.088 km2. A média 2016/2020 é de 8.700 km². Ou seja, General Mourão quer ser aplaudido por prometer deixar o governo com uma devastação ´apenas´ 16% maior do que antes de ele assumir", postou o Observatório do Clima em uma rede social.
Em nota, o Greenpeace chamou a resolução de "vergonhosa" e afirmou que o Plano é "problemático" por não considerar políticas públicas já existentes para o combate do desmatamento amazônico e não ter participação da sociedade civil, povos indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas "em sua execução presente ou menção de que haverá mecanismos para isso".
"Trata-se de mais um plano vazio que demonstra uma tentativa desesperada de receber recursos externos sem, de fato, se comprometer em conter as mudanças climáticas", disse a nota do Greenpeace.
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