
20/04/2021
Quando os zoológicos surgiram, 5 mil anos atrás, no Oriente Médio, os animais pertenciam à coleção dos reis e sempre causaram fascínio. Mas, apesar do fato de que levar uma criança ao zoológico pode ser uma experiência enriquecedora, também pode trazer muitos questionamentos como, por exemplo: por que eles estão presos?
"A gente tem que entender que todas as populações de animais selvagens regrediram a menos de 30% da população original. Se a gente não mantiver sob cuidados humanos, vai perder esse material, essa diversidade genética, e muitas dessas espécies vão ser extintas nas próximas três, quatro gerações. Hoje, os zoológicos são uma das principais ferramentas que a gente dispõe, a nível global, para fazer contraponto a um grande processo de extinção", afirma o biólogo Cláudio Maas, do Bioparque do Rio.
A mentalidade está mudando. Buscando proteger as espécies selvagens, os zoológicos estão passando por uma tremenda mudança e se transformando em bioparques. O Globo Repórter acompanhou essa transformação no Rio de Janeiro. Não foi só uma mudança de nome, mas também de conceito, com mais espaço e qualidade de vida para os animais.
"Hoje, a gente vive o sexto maior período de extinção da história do planeta Terra. O último foi no final do período cretáceo, com os dinossauros. Mas, diferentemente daquele momento, hoje o fator gerador da crise de extinção em massa é a espécie humana, ocupando o espaço todo. Os zoológicos e os aquários vêm para ajudar como ferramentas de preservar o que ainda existe e, através da conservação, restaurar o que já foi perdido", explica o biólogo.
"A gente está tentando reequilibrar um pouco essa relação das pessoas com a natureza. Sem a ciência e a pesquisa, a gente não vai conseguir fazer essa mudança de relação com a natureza".
Para garantir essa preservação das espécies, principalmente as que correm risco de extinção, a reprodução é uma das grandes preocupações dos biólogos. Por isso, um programa conectado mundialmente através de ´aplicativos de encontro´ entre animais ajuda na escolha do "par ideal", e o que mais importa é a genética.
A onça Poty, de um refúgio de Foz do Iguaçu, é um exemplo. Apesar de preta, é uma onça pintada e carrega um gene raro: o do melanismo. Daqui a cerca de um ano, quando atingir a maturidade sexual, vai encontrar o companheiro selecionado para ela, um macho encontrado em Carajás, no Pará.
A arara Theo é outro que já está virtualmente comprometido. Criado em cativeiro no zoológico de São Paulo, está à espera de uma fêmea que vai vir do Loro Parque, em Tenerife, na Espanha, para onde foram enviados dois colegas dele.
Fonte: G1
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