
15/04/2021
Um tubarão-martelo-panã, espécie ameaçada de extinção, foi avistado no litoral de João Pessoa, no dia 21 de março. O vídeo que mostra o momento foi cedido pelo projeto Megafauna Marinha Ameaçada, apoiado pela Fundação Grupo Boticário.
De acordo com Wilson Oliveira Júnior, pesquisador e integrante do projeto, o tubarão-martelo-panã, Sphyrna mokarran, é o maior das 11 espécies reconhecidas de tubarões-martelo no mundo. Ele pode chegar até 6 metros de comprimento total.
“O tubarão-martelo panã é uma espécie migratória que faz grandes movimentações entre diversos países. São animais que frequentam tanto a costa como regiões oceânicas de mar aberto”, explicou.
Segundo o pesquisador, no Brasil, a espécie pode ser encontrada ao longo de todo o litoral, do Amapá ao Rio Grande do Sul. Estima-se que a população global do tubarão-martelo-panã sofreu reduções severas. A espécie está sob risco de extinção, avaliada globalmente como Criticamente Ameaçada pela IUCN (International Union for Conservation of Nature).
“Temos algumas capturas registradas por pescadores de fêmeas grávidas na Paraíba. As fêmeas se aproximam da costa para dar à luz, e é aí que ocorre a pesca incidental. A costa da Paraíba pode ser um local de berçário onde as fêmeas dão à luz, porém são necessárias mais pesquisas para confirmar essa hipótese”, disse.
De acordo com Wilson, esse macho com 2 metros de comprimento avistado pelo projeto foi o primeiro registro em vídeo do tubarão-martelo-panã na Paraíba.
“Com essas informações de capturas incidentais e com o registro da nossa pesquisa, nós começamos a ter uma ideia melhor sobre ocorrência da espécie aqui no estado da Paraíba. Apesar de termos poucas informações sobre a abundância da espécie e locais de ocorrência, cada registro nos ajuda a entender melhor sobre a espécie”.
Ainda conforme o pesquisador, o grupo espera continuar vendo outros animais da mesma espécie durante a pesquisa e adquirir mais conhecimento sobre a área de vida do tubarão-martelo-panã e de outros animais marinhos.
“Com isso, podemos começar a propor áreas marinhas protegidas que incluam os locais em que eles ocorrem. Ações de conservação para essa espécie são de extrema importância”, disse.
Alexander Turra, membro de Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explicou ao G1 que “as políticas públicas de conservação do oceano e da zona costeira padecem de um problema crônico, assim como outras políticas do Brasil, que é o que chamamos de lacunas de implementação”.
“Se tem um dificuldade muito grande de colocar em prática as políticas e de garantir que haja uma continuidade do processo de implementação com avaliações claras e correções de rumo apropriadas”, disse.
Leia a matéria completa no G1
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