
13/04/2021
A crise da qualidade da água do Grande Rio se aprofunda e vai além do insucesso da Cedae para remover a geosmina. O tratamento usado pela empresa para supostamente combater a poluição do Rio Guandu não apenas não funcionou, como ainda lançou um novo poluente — o lantânio, um metal tóxico pesado — na água consumida por nove milhões de pessoas do Grande Rio, alertam cientistas.
Segundo dados da própria Cedae, 190 toneladas de Phoslock, uma espécie de argila modificada que contém o lantânio, foram lançadas na lagoa do Guandu desde janeiro do ano passado, quando ocorreu a primeira crise da geosmina.
O Phoslock é usado em rios quando há proliferação de cianobactérias. Essas, segundo a Cedae, seriam a origem da geosmina e do 2-mib, que mudaram o gosto e o cheiro da água. O lantânio, presente na fórmula da argila, se associa ao fósforo, encontrado em material orgânico e leva as impurezas para o fundo do mar. O lantânio é um metal extremamente tóxico. Estudos internacionais o relacionam a problemas no fígado, malformações congênitas no lábio e no palato e danos à fertilidade. Cientistas alertam para a gravidade da crise no estudo “Colapso da qualidade do Rio Guandu”. O artigo é assinado por especialistas da Uerj, da UFRJ, da Uerj e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
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Fonte: O Globo
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