
23/03/2021
A exploração ilegal de madeira em Mato Grosso aumentou 50% em dois anos, aponta estudo do Instituto Centro de Vida (ICV) divulgado nesta semana, em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).
O levantamento, feito a partir de imagens satelitais, detectou extração ilegal de madeira em 168 mil hectares no período entre agosto de 2017 a julho de 2019. Trata-se de uma área pouco maior do que o município de São Paulo.
Usando como referência a exploração de 30 metros cúbicos por hectares (o máximo permitido), esse volume chegaria a 5,04 milhões de metros cúbicos de madeira ilegal. É o equivalente a 24 apreensões iguais à feita pela Polícia Federal em dezembro no Pará, a maior da história do país.
No período anterior, de agosto de 2015 a julho de 2017, a área ilegal somou 112 mil hectares. Em termos percentuais, houve uma ligeira queda da produção ilegal sobre o total da atividade madeireira de Mato Grosso: de 39% para 37%.
Dos 168 mil hectares explorados de forma ilícita, 69% ocorreram em imóveis rurais cadastrados. Esse alto percentual contradiz os argumentos do governo Jair Bolsonaro de que a regularização fundiária de áreas ocupadas e griladas diminuiria o desmate e outros crimes ambientais.
“A maior parte da exploração madeireira ilegal se dá em imóveis rurais já cadastrados na Sema, então é possível realizar essa responsabilização de forma mais efetiva”, afirma Vinícius Silgueiro, coautor do estudo e coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV.
Em seguida, aparecem terras indígenas, com 16,6 mil hectares de exploração ilegal (10%), unidades de conservação, com 5,6 mil hectares (3%), e assentamentos rurais, com 3 mil hectares em assentamentos rurais (2%).
A área protegida com maior exploração ilegal de madeira é o Parque Estadual Tucumã, no município de Colniza, região norte de Mato Grosso, com 3,3 mil hectares entre 2018 e 2019.
Colniza também concentra a maior área de exploração ilegal de madeira com 16,5 mil hectares entre 2018 e 2019. Trata-se do único município de Mato Grosso na lista dos 11 municípios considerados prioritários pelo governo federal para o combate ao desmatamento na Amazônia.
Dos dez municípios com maior registro de explorações ilícitas, oito também aparecem no ranking da exploração madeireira legal, indício de que a madeira legal e a ilegal se misturam.
O levantamento aponta que o número de autorizações de exploração florestal dadas pela Sema quase quadruplicou entre 2014 e 2019. É consenso entre fiscais de que a abundância dessas autorizações sem o aumento correspondente de mecanismos de controle beneficia o crime organizado por aumentar a oportunidade de esquentar a madeira ilegal.
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