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Crédito de carbono: não adianta mirar em mercado de compensação se desmatamento continuar, alertam especialistas

09/03/2021

Compensar as emissões dos gases do efeito estufa na atmosfera por meio da venda e compra de crédito de carbono tem sido uma das opções seguidas por empresas e organizações no Brasil. Essa é uma estratégia defendida como solução para reduzir a poluição, conter as mudanças climáticas e frear o desmatamento na Amazônia.
Especialistas ouvidos pela Rede Amazônica, porém, alertam que a medida não vai contribuir para resolver os problemas ambientais se a perda de floresta em larga escala no bioma não parar – nem mesmo sem uma regulamentação e/ou respaldo de política pública.
O mercado de carbono funciona da seguinte forma: uma organização que emite os gases paga outra que gera créditos para neutralizá-los. Assim, o carbono emitido é compensado. A cada uma tonelada métrica de CO2 não emitida é gerado um crédito. As regras desse mercado, entretanto, dependem da gestão de cada país.
Para Pedro Moura Costa, dono do Grupo EcoSecurities, que desenvolve projetos com baixo carbono e gera créditos, o Brasil poderia ser líder de mercado, já que é de interesse nacional o uso da terra de forma sustentável.
"O Brasil tem a possibilidade de sequestrar e reduzir a emissão de carbono só com a implementação do Código Florestal, por exemplo, em torno de 100 bilhões de toneladas de CO2. Isso são 50 anos de emissões do setor industrial europeu como um todo. É muito carbono. O Brasil tem potencial brutal que está subutilizado. Não há porque se opor a esse mercado. Não é só vendendo carbono que se vai resolver todos os problemas da Amazônia, mas essa é uma fonte de financiamento que tem um enorme potencial", explicou.
Os debates sobre o tema são antigos. Em 1992, alguns compromissos globais com foco no meio ambiente e no desenvolvimento sustentável foram assumidos, como a Convenção-Quatro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em Nova York. Cinco anos depois, foi a vez de ser aprovado o Protocolo de Kyoto. O objetivo era definir acordos com países ricos visando a redução das emissões dos gases.
Em 2015, então, houve a aprovação do Acordo de Paris para que os países consigam manter o aquecimento global abaixo de 2ºC – recuando até para 1,5ºC, se comparada à temperatura média da era pré-industrial. Duzentas nações bateram o martelo e se comprometeram em reduzir as emissões.
No Acordo, países ricos se responsabilizaram em garantir financiamento de US$ 100 bilhões anual. Os compromissos passam por revisão de cinco em cinco anos.
Recentemente, os Estados Unidos, por exemplo, voltaram oficialmente a fazer parte do acordo depois que o presidente, Joe Biden, assinou atos executivos. Em 2017, o então presidente Donald Trump anunciou a saída do país do acordo climático.

Fonte: G1

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