
04/03/2021
A presença de bugios (Alouatta sp), do gênero Alouatta, que faz parte de uma família de primatas que está ameaçada no Estado de São Paulo, em uma área verde de Presidente Venceslau (SP), tem atraído pessoas “curiosas” ao local.
Muitas delas levam alimentos para os primatas, contudo, essa interação entre os seres humanos e os animais silvestres não é recomendada e pode ocasionar acidentes, conforme alertou ao G1 o biólogo Helder Telles Stapait.
O local virou um ponto de interesse das pessoas e os bugios, por sua vez, observam que a condição tem ficado “favorável”, então eles descem os galhos das árvores, pegam a comida e vão embora, conforme contou ao G1 Stapait, que é especialista em gestão ambiental, professor e fotógrafo de natureza.
“Isso está errado! Quanto mais interação com esses animais, mais dependentes das pessoas eles serão. Isso vai fazer com que eles não se limitem àquele fragmento de mata e pode ser que passem a invadir as casas, podendo causar alguns acidentes”, ressaltou.
O biólogo explicou que muitas pessoas passeiam por ali, inclusive famílias com crianças.
“Algumas vezes, essas crianças podem estar carregando algum alimento e os macacos, já familiarizados com as pessoas e muito provavelmente com fome, podem descer pelos galhos e atacar as crianças que estão carregando comida”, explicou.
“Esses macacos podem partir agressivamente nas pessoas, podem morder, podem bater, ou aplicar um outro mecanismo de defesa que eles têm, que é jogar fezes ou urinar nas pessoas”, acrescentou o biólogo.
Em caso de mordida, é perigoso levar alguma infecção à pessoa. Mas a situação pode ainda ser até mais grave.
“Os macacos são animais extremamente fortes. Se morderem o dedinho de uma criança, podem até arrancá-lo. Isso são acidentes diretos com os animais. O que também pode acontecer, em uma situação de susto, alguma pessoa, criança pular para a rua e, devido ao movimento de carro, essa pessoa pode ser atropelada, então tem que tomar muito cuidado com isso”, comentou Stapait ao G1.
Desta forma, o biólogo reforçou que “é importante esses animais não estarem acostumados com as pessoas”.
“Eles devem retornar para os fragmentos para sobreviverem com os recursos que eles têm lá e não se acostumarem com as pessoas, porque daqui a pouco eles vão descer dos galhos, vão atravessar as ruas, eles podem ser atropelados, tendo em vista que são animais ameaçados de extinção também, podem causar acidentes de trânsito, podem entrar nas casas, ali tem muitas casas do outro lado da rua, podem causar acidentes domésticos, então não pode haver interação dos animais com essas pessoas”, frisou ao G1.
Conforme já ressaltou o biólogo, a recomendação “é não interagir” com animais silvestres.
O especialista ainda colocou que seria interessante a instalação de uma placa indicando que há animais silvestres naquela área e até mesmo uma sinalização de redução de velocidade de circulação de veículos no local.
“Posteriormente, [também é interessante] fazer um trabalho de manejo desses animais para induzi-los a sair daquela borda e retornarem mata a dentro. E uma medida a médio longo prazo seria um reflorestamento com árvores frutíferas para trazer os recursos necessários para essa espécie e muitas outras”, destacou Stapait.
Esta matéria pode ser lida até o final no G1
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