
04/03/2021
A substituição de carros movidos a gasolina e óleo diesel por veículos elétricos, em Fernando de Noronha, é uma das principais ações do programa “Noronha Carbono Zero”, que prevê a redução de gases de efeito estufa. Um estudo divulgado na segunda (1º) pela Organização Não-Governamental (ONG) WWF-Brasil indicou, no entanto, que o uso de carros movidos a etanol seria a melhor alternativa.
A maior parte da produção de energia na ilha é feita com a queima de óleo diesel, na Usina Tubarão. As análises dos ambientalistas indicaram que substituir a gasolina por etanol reduziria as emissões de gases de efeito estufa em 77%. Com os veículos elétricos, esse índice seria de 52%.
O estudo indicou, ainda, a vantagem de dispensar investimentos públicos e privados em veículos elétricos e sistemas de recarga.
A lei, aprovada pelo governo do estado, determina que, a partir de 2022, só podem entrar na ilha veículos elétricos. A lei estadual também determina que até 2030 os carros movidos a combustão devem ser removidos de Fernando de Noronha.
Os representantes do WWF-Brasil consideram que a utilização de elétricos na ilha só traria melhor efeito com a mudança da matriz energética.
“O uso de etanol é a melhor alternativa para o meio ambiente, a curto prazo. No médio e longo prazos, é preciso concluir a mudança da matriz energética da ilha como um todo: não apenas o consumo de combustíveis, mas a geração de eletricidade”, falou o analista de Conservação do WWF-Brasil, Ricardo Fujii.Em Fernando de Noronha, não há o comércio de etanol, o único posto de combustível da ilha só disponibiliza gasolina e óleo diesel.
“Nós temos uma concessão pública, um contrato com o governo do estado. É possível vender etanol, mas, provavelmente, seria mais caro para o consumidor por causa dos custos de transporte marítimo”, informou o diretor da empresa responsável pelo posto, Rafael Coelho.
Os preços dos combustíveis na ilha estão entre os mais caros do Brasil. O litro da gasolina custa R$ 7,69 e o óleo diesel é vendido por R$ 6,05, o litro.
Segundo o estudo do WWF, a matriz energética da ilha é composta, atualmente, por termoeletricidade e energia solar. Em 2019, a energia produzida com a queima de diesel representou 90%, já a energia solar foi responsável por 10% da energia gerada.
O consumo mensal médio de diesel para produção de energia é de 554 mil litros, um custo mensal de R$ 3 milhões. A emissão é de 1.170.000 kg de CO2 por mês (dados de 2018).
O estudo do WWF-Brasil indicou a redução da dependência dos combustíveis fósseis.
As recomendações incluem a ampliação do uso da energia solar fotovoltaica, a troca dos geradores eólicos danificados por outros mais potentes e eficientes e a adoção do biodiesel e da biodigestão dos resíduos sólidos orgânicos e esgoto.
Os ambientalistas afirmaram que, quando utilizadas em conjunto, as ações permitiriam a redução das emissões na ilha em quase 90%.
A mudança teria efeito positivo sobre as emissões geradas pelo transporte do óleo diesel entre o continente e a ilha, realizado a cada 10 dias.
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