
02/03/2021
Um sistema de circulação oceânica que transporta água quente da superfície da Corrente do Golfo para o Atlântico Norte está no seu ponto mais baixo dos últimos mil anos. A Europa, nesta situação, está mais sujeita a fenômenos extremos, como tempestades, secas e aumento das ondas de calor. Cidades da Costa Leste dos Estados Unidos, como Nova York e Washington, poderiam sofrer com o aumento do nível do mar.
Conhecido como Circulação Meridional de Capotamento do Atlântico (Apoc, na sigla em inglês), o sistema pode ser reduzido em cerca de 34% a 45% até o final do século, o que o aproxima de um "ponto de inflexão", ou seja, em que perderá totalmente a estabilidade. O panorama foi retratado em uma pesquisa publicada na última quinta-feira na revista Nature Geoscience.
— Em um período de 20 a 30 anos, é provável que este sistema enfraqueça ainda mais, e isso inevitavelmente influenciará nosso clima, então veríamos um aumento nas tempestades e ondas de calor na Europa e no nível do mar na Costa Leste dos EUA — descreveu o climatologista Stefan Rahmstorf, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, ao jornal britânico Guardian.
Rahmstorf e cientistas das universidades Maynooth (Irlanda) e College London (Reino Unido) estudaram sedimentos de gelo da Groenlândia, que revelam padrões climáticos de outros períodos geológicos, e concluíram que o atual enfraquecimento da Apoc não foi visto pelo menos nos últimos mil anos.
No Atlântico Norte, a água quente que vem do Golfo e do Norte do Brasil esfria e se torna mais salgada até afundar ao norte da Islândia, que extrai mais água quente do Caribe. Essa circulação é acompanhada por ventos que também ajudam a trazer clima ameno e úmido para a Irlanda, Reino Unido e outras partes da Europa Ocidental. O enfraquecimento deste sistema, segundo cientistas, é resultado do aquecimento global.
— Corremos o risco de desencadear (um ponto de inflexão) neste século, e a circulação diminuiria no próximo século. Não podemos ter nem sequer 10% de chances de que isso aconteça, isso seria inaceitável. Precisamos parar o aquecimento global — explicou Rahmstorf ao Guardian.
Fonte: O Globo
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