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Siderurgia aposta em ´aço verde´ por sustentabilidade

23/02/2021

Arranha-céus e pontes, carros e navios de cruzeiro, armas e lavadoras de roupas. Tudo isso tem algo em comum: o aço.
Como insumo básico dos setores de mecânica e construção, o aço é o metal mais usado do planeta, e serve como fundação da moderna economia industrial.
Desde que um método para a produção em massa dessa liga metálica baseada em ferro foi desenvolvido pelo inventor inglês Henry Bessemer, na década de 1850, surgiu toda uma indústria, que hoje movimenta US$ 2,5 trilhões ao ano e emprega milhões de pessoas.
Mas da mesma maneira que os setores de petróleo e carvão vieram a enfrentar pressões intensas nos últimos anos, o papel do aço na crise do clima vem sofrendo escrutínio muito mais intenso.
Do cinturão industrial decaído dos Estados Unidos ao coração da indústria chinesa, a maneira dominante de fundir o ferro bombeia para a atmosfera quantidades imensas de dióxido de carbono, o principal componente no aquecimento global causado pela atividade humana.
Excetuada a geração de energia, o setor de ferro e aço é o maior emissor industrial de dióxido de carbono. Responde por 7,9% do total de emissões diretas causadas por combustíveis fósseis, de acordo com a Associação Mundial do Aço.
É um total maior do que o gerado em emissões por toda a economia da Índia. À medida que a mudança do clima ganha importância na agenda política mundial, e que muitos governos assumem compromissos para com metas ambientais ambiciosas, uma corrida contra o tempo foi iniciada para o desenvolvimento de versões menos prejudiciais ao meio ambiente desse material forte e versátil.
“O aço é um material muito importante para a sociedade moderna. Há muito tempo ele vem sendo produzido de minério de ferro e com o uso de carvão”, diz Martin Pei, vice-presidente técnico da SSAB, uma companhia sueca que é uma das líderes nos esforços de inovação.
“Se desejamos realmente contribuir para as metas ambientais estabelecidas pelo acordo de Paris, existe um consenso generalizado de que só a obtenção de novos avanços em termos de eficiência nos altos fornos não será suficiente. Tecnologias revolucionárias são urgentemente necessárias”.
Com a introdução do uso em massa de energia renovável, nos últimos 10 anos, e com os compromissos assumidos recentemente por muitas das maiores montadoras mundiais de automóveis quanto a adotar motores elétricos, indústrias pesadas como a siderurgia, o setor de cimento e a petroquímica, que requerem o uso de calor extremo em seus processos, são uma das próximas fronteiras na redução das emissões de carbono.
Para cumprir as metas mundiais quanto à energia e ao meio ambiente, as emissões de poluentes do setor siderúrgico precisam cair em pelo menos 50% até a metade do século, de acordo com a Agência Internacional de Energia, e o objetivo posterior será reduzi-las a zero.
Alguns dos maiores grupos de siderurgia do planeta, como ArcelorMittal, Thyssen e Baowu Group, da China, estão avançando no processo de transformar conceitos de laboratório em realidade industrial. Alguns chegaram a anunciar metas para um total líquido zero de emissões de poluentes.
Faustine Delasalle, sócia da Systemiq, uma consultoria de sustentabilidade e investimento, diz que o nível de desenvolvimento técnico é encorajador. “Ainda não estamos prontos para levar produtos ao mercado, mas o progresso é relativamente rápido e podemos esperar uma primeira onda de locais de produção com emissões próximas de zero antes de 2030”.
Os planos mais ambiciosos envolvem abandonar um princípio para transformar rochas em metal descoberto na idade do ferro, e substitui-lo por um método que envolve usar o gás hidrogênio, “limpo”, como nova fonte alternativa de energia.
No entanto, reformar uma indústria monolítica, lenta e poluente que produz dois bilhões de toneladas de material ao ano será uma tarefa enorme.
Entre os obstáculos está o nível de investimento requerido, que pode chegar às centenas de bilhões de dólares –o que não é fácil em um setor prejudicado pelo excesso crônico de oferta e por oscilações ferozes de lucratividade.

Saiba mais terminando de ler esta reportagem na Folha de S. Paulo

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