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Ondas de frio, nevascas e inverno rigoroso na Europa estão ligados às mudanças climáticas

18/02/2021


"Cadê as mudanças climáticas?" O chavão reaparece toda vez que é noticiado sobre uma nevasca ou uma frente fria, como a que atinge atualmente partes da Alemanha. A conclusão implícita: se as temperaturas estão baixas, não pode haver aquecimento global causado pelo homem.
Mas esta suposição é errada. Os efeitos do aquecimento global, na verdade, podem favorecer frentes frias mais agudas.
A frente fria atual na Alemanha é muito mais do que apenas um inverno rigoroso. Ela resulta da "quebra" do vórtice polar no Polo Norte. Ele se forma ali no inverno, como um círculo de ar extremamente frio na estratosfera.
O vórtice polar está intimamente ligado às correntes de jato, faixa de ventos fortes a uma altitude de cerca de 10 quilômetros. Na região da frente polar, ela flui entre as massas de ar quente dos trópicos e subtrópicos e o ar polar frio. Nas camadas inferiores do ar, formam-se zonas de alta e baixa pressão nesta área de transição, como a "depressão da Islândia" e o "anticiclone dos Açores".
A corrente de jatos geralmente determina como será o inverno na Europa: se é forte e flui de oeste para leste, traz do Atlântico um clima ameno, com ventos e chuvoso e segura o ar frio do Ártico. Mas se o jato for fraco e ondulado, o vórtice polar também se torna fraco ou se rompe completamente. Assim, o ar frio do Ártico pode penetrar para o sul.
O clima de inverno atual na no norte da Europa é o efeito de uma corrente de jato fraca - ou, mais precisamente, de um mergulho profundo dela. O resultado: uma quebra particularmente forte e prolongada do vórtice polar - e temperaturas geladas mais ao sul do que o normal.
É aqui que entra em jogo o aquecimento desproporcional do Ártico, explica Stefan Rahmstorf, chefe do departamento de pesquisa de Análise do Sistema da Terra do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK). Segundo Rahmstorf, as temperaturas no Ártico subiram quase três vezes mais que a média global durante os últimos 40 anos. "E estas mudanças no Ártico estão afetando o clima na Europa", comenta.
O aquecimento do Ártico é particularmente forte no inverno, diz Dörthe Handorf, que conduz pesquisas sobre a física da atmosfera no Instituto Alfred Wegener do Centro Helmholtz para Pesquisa Polar e Marinha (AWI).
"O aquecimento do Ártico, como mostram muitos estudos, está causando o enfraquecimento da corrente de jatos", diz Handorf. A corrente de vento, explica ela, está começando a "quebrar". Como resultado, isso pode levar cada vez mais frequentemente a frentes frias mais ao sul da Europa, como a atual.
Por um lado, as frentes de ar frio podem variar de intensidade. Por outro, não é apenas o Ártico que está aquecendo. Há também um forte aquecimento nos subtrópicos, que também tem um impacto sobre as correntes de jato, explica Handorf.
Enquanto o aquecimento do Ártico tende a direcionar as correntes de jato para o sul e pode causar mais frio na Europa, o aquecimento subtropical tende a direcionar a corrente para o norte. Quando isso acontece, o inverno na Europa fica mais ameno.
Qual tendência de aquecimento predominará no futuro, ou seja, qual tendência influenciará as correntes de jatos, e com ele o inverno na Europa, ainda não pode ser claramente previsto.

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