
18/02/2021
Pablo Escobar é um nome que a Colômbia tenta esquecer há 30 anos.
Um dos criminosos mais famosos de todos os tempos, ele foi o fundador do cartel de drogas de Medellín na década de 1980, responsável por sequestros, bombardeios e assassinatos. A certa altura, ele foi considerado um dos homens mais ricos do mundo.
Mas o chefão da cocaína também é responsável pelo que os cientistas chamam de uma bomba-relógio ecológica.
Um grupo de hipopótamos importados originalmente por Escobar para seu zoológico particular décadas atrás se multiplicou e, de acordo com os cientistas, agora está se espalhando por um dos principais cursos de água do país, o rio Magdalena. No mês passado, um estudo publicado na revista Biological Conservation apontou que o abate dos animais seria a única forma de mitigar seu impacto ambiental.
"É óbvio que sentimos pena desses animais, mas, como cientistas, precisamos ser honestos", disse a bióloga colombiana Nataly Castelblanco, uma das autoras do estudo, à BBC. "Os hipopótamos são uma espécie invasora na Colômbia e se não matarmos uma parte de sua população agora, a situação pode ficar fora de controle em apenas 10 ou 20 anos."
A ascensão dos chamados "hipopótamos da cocaína" começou em 1993, depois que as autoridades mataram Pablo Escobar e confiscaram sua luxuosa propriedade Hacienda Napoles, a cerca de 250 km (155 milhas) a noroeste da capital Bogotá.
Os animais encontrados lá foram distribuídos para zoológicos de todo o país, mas não os hipopótamos. "Era logisticamente difícil transportá-los, então as autoridades simplesmente os deixaram lá, provavelmente pensando que os animais morreriam", disse Castelblanco.
Em vez disso, eles prosperaram.
Ao longo dos anos, os cientistas tentaram calcular quantos hipopótamos vivem nas águas da Colômbia, com estimativas que variam de 80 a 120 animais. "É o maior rebanho de hipopótamos fora da África, que é sua região nativa", disse o veterinário e conservacionista Carlos Valderrama à BBC.
E as projeções apontam que os números devem ficar cada vez maiores.
Castelblanco e seus colegas dizem que a população chegará a mais de 1.400 espécimes já em 2034 se não for feito um abate. Todos eles descendem do grupo original de um macho e três fêmeas. No estudo, eles colocam um cenário ideal em que 30 animais precisariam ser abatidos ou castrados todos os anos para impedir que isso aconteça.
Castelblanco explica que os "hipopótamos da cocaína" aproveitaram uma oportunidade evolutiva. Eles não têm predadores naturais na América do Sul, o que significa que podem se reproduzir com muito mais facilidade.
O clima também ajuda: na África, a população é em parte controlada por secas, que não ocorrem na Colômbia.
As condições em sua casa na América do Sul parecem tão ideais para os hipopótamos que estudos mostram que eles começam a se reproduzir em idades mais precoces, disse ela.
Cientistas que estudam o impacto ambiental dos hipopótamos acreditam que eles podem afetar o ecossistema local de várias maneiras: desde o deslocamento de espécies nativas já ameaçadas de extinção, como o peixe-boi, até a alteração da composição química da água, o que pode colocar em risco a pesca — embora outros estudos sugiram que eles também podem ajudar o meio ambiente.
"Os hipopótamos estão se espalhando pela maior bacia hidrográfica da Colômbia, a partir da qual muitos milhares de pessoas vivem", disse. "Hipopótamos têm sido vistos a uma distância de até 370 km da Hacienda Napoles."
Leia a matéria completa pode ser lida no G1
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