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Governo do Estado de SP avalia mudança do nome do Morro do Diabo para Parque Estadual Onça-Pintada

11/02/2021

O governo do Estado de São Paulo avalia a possibilidade de trocar o nome do Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), para Parque Estadual Onça-Pintada.
De acordo com as informações repassadas ao G1 pela Secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, a proposta de alteração na denominação do parque está entre as ações do Programa de Desenvolvimento da Região do Pontal do Paranapanema, o Pontal 2030, que foi oficialmente lançado na terça-feira (9).
No entanto, segundo a pasta estadual, a ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo e demais órgãos correlatos.
“Desta forma, não há ainda uma data para oficializar esta alteração”, esclareceu a secretaria.
“Entre as ações que abarca o Programa de Desenvolvimento da Região do Pontal do Paranapanema – Pontal 2030, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional, existe a proposta de substituir o nome Parque Estadual Morro do Diabo por Parque Estadual Onça-Pintada. A ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo e demais órgãos correlatos. Desta forma, não há ainda uma data para oficializar esta alteração”, informou a pasta estadual em nota ao G1.
O G1 perguntou à Secretaria de Desenvolvimento Regional qual a justificativa para a denominação de “Onça-Pintada”, mas a pasta respondeu apenas que “a ideia está sendo debatida pelas áreas técnicas do Governo de São Paulo”.
O felino já foi visto no Morro do Diabo. O animal é considerado o maior felino do continente americano e o terceiro maior do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. A Fundação Florestal, que administra o parque, estima a existência de 15 a 20 onças-pintadas no local, uma população considerada pequena para uma espécie que é "extremamente ameaçada de extinção".
Em janeiro do ano passado, dois vigilantes que trabalhavam na segurança do Morro do Diabo flagraram uma onça-pintada às margens do Rio Paranapanema, que fica na divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná.
De acordo com o parque, o registro das imagens foi feito durante uma ronda de fiscalização, no período diurno, através de celulares, pelos vigilantes Ricardo Costa Ducovschi e Reginaldo Duarte dos Santos, que estavam em uma embarcação, no meio do rio.
A respeito da importância do Morro do Diabo para a preservação da espécie, o biólogo Edson Montilha ressaltou que o local é um "oásis".
"O parque é um oásis na região oeste do Estado de São Paulo. Trata-se de uma área protegida de aproximadamente 34 mil hectares de Mata Atlântica de interior, é o maior contínuo florestal do interior. Além do fornecimento de habitat para a existência da onça-pintada, outros tantos animais importantes encontram abrigo no Morro, como o mico-leão-preto, espécie ameaçada e animal símbolo do Estado. Para que estas áreas continuem a existir com toda esta riqueza, a presença de predadores de topo de cadeia é fundamental para manter o equilíbrio e dinâmica das populações, incluindo aqueles que são plantadores de floresta, como a anta, primatas e outros animais", explicou.
O Parque Estadual Morro do Diabo está localizado no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, e ocupa uma área de 33.845,330 hectares.
De acordo com as informações da Fundação Florestal, que é o órgão gestor do parque, existem lendas que tentam explicar a razão de seu nome. Uma lenda diz que índios revoltados com bandeirantes que teriam dizimado sua aldeia os mataram em uma emboscada. Aqueles que fugiram da carnificina diziam que o diabo estava no morro.
O parque preserva a maior área contínua remanescente da floresta que recobria a porção ocidental do Estado. Essa vegetação corresponde à floresta tropical estacional semidecidual, do domínio da Mata Atlântica.
A flora local apresenta algumas peculiaridades: uma mancha de cerrado imersa na floresta e a presença de populações de duas espécies de cactáceas: mandacaru e xique-xique, que dão à vegetação um aspecto de caatinga.
A fauna conta com o raro mico-leão-preto, uma espécie endêmica da Mata Atlântica, símbolo do parque e um dos primatas mais ameaçados do mundo. Mais duas espécies de primatas também ocorrem na área: o bugio e o macaco-prego.

A reportagem pode ser lida no G1

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