
11/02/2021
Alegando falta de recursos financeiros, o governo federal assinou nesta terça-feira (9) um programa pelo qual espera arrecadar R$ 3,2 bilhões por ano da iniciativa privada nacional para a preservação de parques em reservas ambientais na Amazônia. O projeto, contudo, sem oficialização, vem sendo anunciado —e até servindo para provocações— desde julho de 2020.
O decreto que cria o programa foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto, sem a presença do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, presidente do Conselho da Amazônia, o qual foi segundo evento do dia do qual Mourão não participou.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, todos os integrantes do governo federal foram convidados. Questionado, Mourão disse que "estava trabalhando" na Vice-Presidência.
"Tinha outras coisas para fazer", respondeu quando questionado sobre sua ausência no evento. A agenda oficial dele, no entanto, não registra nenhum compromisso oficial entre 8h e 18h.
Em setembro de 2020, Salles usou o programa, que, formalmente ainda não existia, para tentar alfinetar o ator Leonardo DiCaprio, que criticava a política ambiental de Bolsonaro e postava "#AmazonOrBolsonaro" (#AmazôniaOuBolsonaro).
“O Brasil está lançando o projeto de preservação “Adote1parque”, o que possibilita você ou qualquer empresa ou indivíduo a escolher um dos 132 parques na Amazônia e diretamente patrociná-lo com 10 euros por hectare por ano. Você vai mostrar que não está falando só da boca para fora?”, disse, em inglês, o ministro em resposta a uma postagem do ator.
À época, o DiCaprio pedia para “desfinanciar Bolsonaro” em meio ao cenário crítico de desmatamento e queimadas.
Mesmo que ator quisesse “adotar um parque” àquela altura, nada de concreto existia sobre o programa. As promessas do projeto começaram em julho do ano passado, em meio ao crescimento da pressão internacional sobre a política ambiental de Bolsonaro e Salles por causa do aumento de desmatamento e queimadas, tanto na Amazônia quanto no Pantanal.
O “Adote1Parque”, mesmo sem oficialização, já teve vídeo divulgado e uma breve página destinada no site do ministério. Ao jornal britânico Financial Times, Salles prometeu, no começo de agosto de 2020, que o programa seria lançado na semana seguinte daquele mês. Não foi.
Sem formalizações sobre o projeto do qual falava, Salles foi questionado, na última segunda (8), pela jornalista Ana Carolina Amaral, do blog da Folha Ambiência, no programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, sobre as negociações para parcerias sem publicações em Diário Oficial. "Não tem negociação", afirmou o ministro. "Estou procurando interessados."
Em janeiro, ao participar da versão virtual do Fórum Econômico Mundial de Davos, Mourão disse que a iniciativa privada tem que liderar investimentos na Amazônia porque o governo não terá recursos para isso no cenário de pós-pandemia.
Na primeira fase do programa Adote um Parque, o foco estará em 132 unidades de conservação federais na Amazônia. Os parques ocupam 15% do bioma, totalizando 63,6 milhões de hectares. O governo diz que é possível que o programa seja estendido para outros biomas, mas não deu um prazo.
Leia a matéria na íntegra na Folha de S. Paulo
Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo
16/07/2026
Horta hidropônica vira aula de química a céu aberto
16/07/2026
Antes de extração, projeto de petróleo na costa amazônica gera expansão de invasões
16/07/2026
Fundo de Catástrofes amplia apoio às vítimas das chuvas
16/07/2026
Energia solar protege água em canais da Califórnia
16/07/2026
Salton, o maior lago da Califórnia, está encolhendo
16/07/2026
