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Aparelho mais barato promete ajuda no combate a grandes incêndios na Amazônia

09/02/2021

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), em Manaus, promete aumentar a eficácia e reduzir em mais de 80% o custo dos equipamentos de monitoramento de queimadas usados por brigadistas no combate a grandes focos de incêndios florestais.
Em 2020, houve recorde de incêndios na Amazônia e no Pantanal. A pesquisa é desenvolvida no Laboratório de Ecologia Geral da instituição.
Com cerca de 450 gramas e do tamanho de um celular, o equipamento reúne sensores que medem a velocidade e direção do vento, umidade do ar, temperatura e direção das chamas, além de permitir a acoplagem opcional de uma câmera termográfica.
A transmissão é em tempo real para computador ou smartphone. O tamanho permite que seja levado na mão ou preso a mastro, torre ou drone.
A proposta dos pesquisadores é tornar o equipamento mais barato e acessível a brigadistas de pequenos municípios, associações comunitárias e instituições de pesquisa ou não-governamentais.
“A política ambiental está sofrendo desmonte, com cortes sistemáticos de recursos, então temos que oferecer ferramenta que seja acessível também financeiramente nessa nova realidade”, disse o coordenador do projeto, Jair Maia.
Além de Maia, fazem parte da iniciativa dois engenheiros de software, engenheiro de hardware e meteorologista.
A ideia é entregar um equipamento prático e acessível que permita aos profissionais que estão em campo, no combate ao fogo, uma tomada de decisão mais rápida e baseada em informações técnicas precisas que, muitas vezes, levam tempo para serem reunidas e analisadas.
“Quanto antes eles tiverem essas informações em mãos, maiores as chances de sucesso. Isso pode reduzir não só o ritmo de propagação dos incêndios, como os riscos de acidentes com os brigadistas”, afirmou Maia, que é biólogo e doutor em ecologia do fogo.
A ideia, conta Maia, é ajudar a construir uma base de dados para identificar o perfil das queimadas em cada região, facilitando a construção de estratégias de combate às chamas.
“Com o passar do tempo, esses dados nos permitirão criar um mapa e identificar onde será melhor investir os recursos para agir de forma preventiva. O protótipo inclui um aplicativo para celular e um repositório web que vai concentrar esses dados, transmitir para a base de dados da instituição e ajudar na leitura deles”, explicou.
As pesquisas, que iniciaram há cerca de um ano, sofreram atraso por causa da pandemia de Covid-19, que atrasou a chegada de parte dos insumos, importados.
O projeto está na fase final de confecção dos três protótipos, que poderão ser usados em campo a partir do segundo semestre de 2021 e deverão custar menos de R$ 10 mil, afirma o professor Maia.
“Bem menos que os equipamentos com funções semelhantes disponíveis no mercado, que custam de R$ 70 a R$ 145 mil, um valor inviável para a maioria das brigadas de incêndio comunitárias, de ONGs ou pequenos municípios da Amazônia”, relatou.
Justamente devido ao público-alvo, outro desafio é ser de fácil manuseio por ribeirinhos, indígenas e pessoas sem conhecimento técnico, diz Maia. “A ideia é democratizar o acesso à tecnologia de combate ao fogo.”
O projeto custou, até agora, pouco mais de R$ 90 mil, arrecadados com uma empresa privada, por meio do PPBio (Programa Prioritário em Bioeconomia), da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), conta Carlos Koury, diretor-técnico do Idesam (Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), ONG responsável pela gestão do PPBio. “O programa foi desenvolvido para conectar pesquisadores e empresas investidoras”, explica Koury.

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