
04/02/2021
Água, protetor solar e máscara. Esta é a receita da maioria dos trabalhadores que atuam nas ruas do Rio de Janeiro para suportar o calor, que chegou a ultrapassar a barreira dos 40ºC no mês de janeiro. O G1 foi às ruas para ouvir os vendedores da cidade sobre as dificuldades de trabalhar em um verão onde não chove há mais de 15 dias.
Maria de Fátima da Costa, a Baianinha, trabalha vendendo bebidas na Praia de Ipanema há mais de 30 anos. Atualmente, ela realiza as vendas debaixo da barraca. Mas reconhece o esforço de quem passa o dia inteiro caminhando pelas areias.
“É duro e sofrido mesmo. Tem que estar tomando banho, bebendo água, no chuveirinho, para hidratar a pele”, disse a ambulante.
Ela acha que o verão deste ano está especialmente quente. Mas diz que, mesmo considerando incômodo, não pode abrir mão da máscara.
“Não posso deixar. Como eu lido com o público, eles vêm até aqui e eu atendo. Mas como eu fico mais aqui, não aglomera, acaba sendo mais isolado. Ninguém fica em cima da gente não”, explicou a vendedora.
Ronaldo Silva, que circula em um triciclo vendendo gelo pelos quiosques da orla, trabalha equipado. A reportagem do G1 o encontrou com chapéu, máscara e roupa de manga comprida. Segundo ele, a experiência de 15 anos trabalhando nas praias faz com que ele conheça a necessidade de se cuidar.
“Tem que passar bastante protetor e estar sempre hidratando, tomando bastante líquido. Este é o segredo, porque o calor está realmente muito forte”, explicou.
Segundo ele, o gelo ameniza um pouco o calor: “A gente acaba tendo contato com o gelo e melhorando um pouco a sensação da temperatura”.
Teresa Cristina, a Tetê, vende quentinhas na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa. Ela passa algumas horas debaixo do sol e, para suportar, também aposta na água e protetor.
Ela redobra a atenção com a conservação, para que os alimentos fiquem fresquinhos.
“Tem que ter um cuidado e manter tudo bem fechado, cuidado. A higiene é tudo”, explicou.
Francisco Gimenez, que trabalha como ambulante no Méier, na Zona Norte, repete os tradicionais cuidados com o sol. Ele reconhece que trabalhar nessa época do ano é sofrido.
“A sensação térmica é muito maior do que os 40ºC que marcam os termômetros. E aqui a gente está exposto. Mesmo com o guarda-sol, o Sol bate na pedra portuguesa e reflete. A gente é cozinhado. O calor vem de cima para baixo e de baixo para cima”, destacou Francisco.
Já Jorge Cabral, que trabalha perto de Francisco, lida com o calor com naturalidade. Ambulante há 15 anos, ele afirma que o sol é uma importante fonte de vitamina D, mas que pode atrapalhar as vendas às vezes.
“Muita gente não sai de casa por causa do sol”, explicou.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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