
02/02/2021
No fundo do Oceano Pacífico, a centenas de quilômetros da terra, há algumas marcas curiosas em seu leito que nenhum animal poderia ter feito. Algumas parecem estreitos canais esculpidos no lodo claro. Outras se assemelham a marcas de garras, escavadas nos ecossistemas das profundezas marinhas por um monstro subaquático.
A humanidade deixou muitas marcas na superfície da Terra, mas esses traços de longa data no fundo do mar permanecem praticamente invisíveis. Ocasionalmente, eles são iluminados pelos refletores de veículos submersíveis operados remotamente, mas logo em seguida voltam à escuridão. Estão lá há décadas. Assim como as pegadas e rastros que os astronautas deixaram na Lua, ainda são visíveis agora, não há nada para apagá-los.
A trilha que aparece na imagem do topo deste artigo tinha 37 anos quando foi fotografada há alguns anos, enquanto as marcas abaixo datam de 1989.
Essas marcas, que remontam às décadas de 1970 e 1980, são as primeiras tentativas dos ensaios de mineração em alto mar, deixadas para trás por navios equipados com dragas e arados, que partiram há muito tempo.
Recentemente, cientistas voltaram com câmeras e sondas para ver o que aconteceu com os ecossistemas locais — e o que eles encontraram são cicatrizes que nunca foram totalmente curadas.
Logo, haverá muito mais trilhas como essas esculpidas em todas as planícies abissais do oceano, uma das últimas áreas selvagens intocadas do planeta. O que as futuras gerações podem fazer com elas, e o que vão dizer sobre a busca da humanidade por recursos naturais no início do século 21?
Para entender por que essas marcas estão lá — e por que são importantes — precisamos mergulhar em um mar pré-histórico.
Um dia, um tubarão perdeu um dente, que afundou centenas de metros até o leito do oceano. Gradualmente, conforme a precipitação de metais a partir da água do mar se acumula no sedimento, o dente é revestido de minerais. E assim começa um dos fenômenos geológicos mais lentos da Terra: o crescimento de um nódulo polimetálico.
Nem todos começam com um dente — outros contêm fragmentos de conchas, de ossos ou nada — mas o ritmo lento de crescimento é sempre o mesmo. Eles levam milhões de anos para crescer apenas alguns centímetros. Mas com o tempo, se tornaram tão abundantes que cobrem grandes áreas da planície abissal do oceano.
Os nódulos foram descobertos durante uma viagem do HMS Challenger, navio da Marinha Real Britânica, em 1873. Quando trouxeram os depósitos minerais à superfície, os marinheiros os teriam agarrado com as mãos, fazendo-os esfarelar nas bordas.
Ao toque, eles deviam parecer mais suaves na parte de cima, mas ásperos na parte inferior, como pedra-pomes, onde haviam crescido envolvendo grãos sedimentares. Se tivessem levado ao nariz, não teriam detectado nenhum cheiro.
O químico da expedição foi um dos primeiros a notar que os nódulos não eram insignificantes. Eles eram feitos de "peróxido de manganês", escreveu ele, que é "uma das principais substâncias utilizadas na fabricação de alvejante". Sua localização remota, no entanto, significava que "eles nunca poderiam se tornar uma fonte rentável de suprimento".
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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