
02/02/2021
Um dos principais aliados do presidente da França, Emmanuel Macron, para a área ambiental, o eurodeputado Pascal Canfin, 46, diz que o mercado do continente para produtos brasileiros que contribuam para o desmatamento será progressivamente fechado.
“O Brasil não pode aparecer na cena internacional como o país que não quer cooperar. Seria um péssimo cálculo econômico”, afirma Canfin, em entrevista à Folha.
Membro do Republique En Marche (República Em Marcha), partido de Macron, ele é presidente a Comissão de Meio Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar do Parlamento Europeu.
Nessa condição, é um dos principais responsáveis pela elaboração de um projeto de lei que poderá fechar o mercado do bloco econômico a produtos brasileiros incapazes de provar que não têm ligação com o desflorestamento. O mais importante nessa lista é a soja.
No último dia 12 de janeiro, Macron associou a soja brasileira ao desmatamento na Amazônia.
Ele escreveu em uma rede social que continuar a depender da importação da oleaginosa brasileira seria endossar a destruição da floresta, e propôs que o continente europeu tenha cultivo próprio do produto.
Embora apenas 4% da soja brasileira tenha origem na Amazônia, a associação entre a produção e o desmatamento tem grande apelo junto ao público europeu. O Brasil exporta anualmente 14 milhões de toneladas do produto para o bloco de 27 países por ano.
Na entrevista, Canfin confirma a intenção de cultivar soja no continente, e diz que o aumento da produção de proteína vegetal será discutido na próxima versão da política agrícola comum do bloco.
Ele também nega que haja uma motivação protecionista da União Europeia no plano de restringir a soja brasileira.
“A ideia não é parar de importar a soja brasileira, mas somente a soja brasileira que não é capaz de demonstrar que não contribui para o desmatamento. Não somos contra a soja brasileira em si, mas contra um modo de produção que não queremos mais respaldar”, afirmou.
O deputado deixou claro ser inviável a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul caso não haja mudanças na política ambiental brasileira.
A entrevista pode ser lida na Folha de S, Paulo
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