
12/01/2021
A hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, deverá aumentar o fluxo de água liberado para um trecho do rio Xingu em janeiro para atender determinação do Ibama, o que afetará a geração de energia do empreendimento, segundo documento visto pela agência de notícias Reuters.
A decisão do Ibama de determinar uma mudança provisória na vazão da usina, uma das maiores do mundo, vem em meio a preocupações com impactos ambientais e sobre comunidades locais.
Em ofício com data de 5 de janeiro, o diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama, Jônatas Trindade, afirma que o órgão prevê concluir até o final de janeiro avaliações sobre a necessidade de mudança na vazão nos demais meses de 2021.
Segundo o documento, Belo Monte deverá operar com vazão de 3.100 metros cúbicos por segundo no chamado "trecho de vazão reduzida" do rio Xingu em janeiro.
Isso é praticamente três vezes mais do que a vazão original definida, de 1.100 metros cúbicos por segundo.
Procurado, o Ibama não respondeu de imediato a pedidos de comentário.
A Norte Energia, dona de Belo Monte, também não retornou de imediato. A companhia tem como principais sócios empresas do grupo estatal Eletrobras e as elétricas Neoenergia, Cemig e Light, além da mineradora Vale.
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), que gerencia o acionamento de usinas e linhas de transmissão para atendimento à demanda por energia, demonstrou preocupação em dezembro com possíveis impactos negativos sobre a geração de Belo Monte devido às avaliações em curso no Ibama.
O diretor-geral do órgão, Luiz Carlos Ciocchi, disse à Reuters que uma mudança na vazão da usina ao longo de 2021 exigiria ligar mais termelétricas, com custo de operação maior, o que teria impacto sobre os consumidores de energia.
O Ibama, por outro lado, disse que verificou "aumento na intensidade de alguns impactos ambientais já previstos" para a hidrelétrica, incluindo "alteração nas populações de peixes, navegação, dentre outros".
Com capacidade instalada de 11,2 gigawatts, a usina de Belo Monte recebeu investimentos de mais de 35 bilhões de reais.
As novas premissas de vazão em avaliação no Ibama, se adotadas em definitivo, poderiam reduzir fortemente o fluxo de água para as turbinas de Belo Monte principalmente até maio.
Em fevereiro, por exemplo, a usina precisaria liberar uma vazão mínima mensal na Volta Grande do Xingu de 10,9 mil m³/s, contra 1,6 mil m³ do chamado "hidrograma de consenso", aprovado durante o licenciamento ambiental do empreendimento.
O ONS estimou à Reuters que a perda média de geração para a usina com a nova vazão de janeiro a julho poderia somar entre 17,4 mil e 21,18 mil megawatts médios, o suficiente para abastecer o Sudeste/Centro-Oeste por cerca de 15 dias.
Fonte: Folha de S. Paulo
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