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A proliferação recorde de algas no Atlântico que intriga os cientistas

05/01/2021

No verão de 2018, uma grande (e intrigante) faixa de algas marrons apareceu no oceano Atlântico — ela se estendia de uma costa a outra, da África Ocidental ao golfo do México.
Com 8.850 quilômetros, a floração de algas marinhas, conhecida como o "grande cinturão de sargaço (sargassum) do Atlântico", foi a maior já registrada.
Pesquisadores que analisaram imagens de satélite estimaram sua massa em mais de 20 milhões de toneladas — mais pesada do que 200 porta-aviões completamente carregados.
Embora o evento de 2018 tenha sido recorde, a proliferação de sargaço gera incômodo há alguns anos no Atlântico, uma vez que prejudica a biodiversidade costeira, a pesca e a indústria do turismo no Caribe e no México. Barbados, por exemplo, declarou estado de emergência nacional em junho de 2018, depois que sua costa foi tomada pelo sargaço.
"2011 foi um ponto de inflexão. Antes, não víamos muito sargaço. Depois disso, estamos vendo florações de sargaço enormes e recorrentes na região central do Atlântico", diz Mengqiu Wang, da University of South Florida, uma das integrantes da equipe que descobriu a proliferação de algas no Atlântico em 2018. As florações são maiores em junho e julho, segundo ela.
E é um problema que parece estar piorando no Atlântico. Depois de analisar 19 anos de dados de satélite, pesquisadores da University of South Florida, nos EUA, descobriram que desde 2011 a floração de sargaço acontece anualmente e está crescendo em tamanho.
Outros pesquisadores, como Elizabeth Johns, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, concordam que 2011 foi um ponto de virada para o sargaço no Atlântico, sugerindo que as florações futuras serão provavelmente ainda maiores.
De fato, um navio de pesquisa no Caribe registrou concentrações de sargaço 10 vezes maiores no outono de 2014 do que no episódio de 2011 — e 300 vezes maiores do que qualquer outro outono nos últimos 20 anos, de acordo com uma pesquisa realizada pela cientista marinha Amy Siuda e seus colegas da Sea Education Association (SEA), da instituição Woods Hole Oceanographic, em Massachusetts, nos EUA.
Embora as causas exatas da proliferação ainda não tenham sido descobertas, a equipe de Wang acredita que uma série de fatores ambientais estão contribuindo para a explosão de sargaço. Entre eles, correntes marítimas e padrões de vento anormais ligados às mudanças climáticas.
Acredita-se que a destruição da floresta Amazônica também tenha alimentado o crescimento do sargaço. À medida que grandes áreas da floresta tropical são desmatadas, são substituídas por terras agrícolas altamente fertilizadas.
O fertilizante acaba no rio Amazonas e por fim no Atlântico, onde inunda o oceano com nutrientes como nitrogênio. Registros mostram que durante a grande floração de 2018, houve níveis mais elevados de nutrientes na região central do Atlântico onde o sargaço cresce, em comparação com 2010, acrescenta Wang.
Quando se dispersa em águas abertas, o sargaço — às vezes chamado de "floresta tropical dourada flutuante" — serve como um importante viveiro para filhotes de tartaruga e um refúgio para centenas de espécies de peixes.
O problema surge quando o sargaço chega às praias e começa a apodrecer, emitindo sulfeto de hidrogênio — um gás que cheira a ovo podre.
"É uma boa vegetação no oceano, na praia se transforma em algo ruim", explica Wang.
O cheiro forte e a aparência desagradável estão afastando os turistas dos resorts à beira-mar no Caribe e na península de Yucatan, no México — um duro golpe para a economia da região, que depende muito do turismo.
Em 2018, Laura Beristain Navarrete, prefeita da cidade costeira de Playa del Carmen, no México, disse a um jornal local que o número de turistas na região havia caído em até 35% devido ao sargaço.

A matéria na íntegra pode ser lida no G1

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